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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Silent Hill OST - Waiting... For You


Marta

Meu nome é Marta, tenho 25 anos e tinha um namorado... Vivia numa prisão sem muros. Estávamos juntos há dois anos mas ultimamente se tornou outra pessoa. Não consigo entender o porque de continuar com ele... Não conseguia deixá-lo. Talvez eu tinha esperanças de que ele mudaria um dia, que me amaria de verdade, que... Um dia...
Ele chegava bêbado em casa com os amigos e tentava fazer sexo comigo na frente deles, me xingando como se eu fosse uma... Uma... Então eu chorava e era quando as agressões começavam.
Não somos casados mas tentei ser uma boa mulher, mantive minha promessa. Chorei todas as noites, esperando dias melhores em nosso relacionamento. Eu já não conseguia satisfazê-lo e nada do que ele dissesse ou fizesse comigo mudaria essa realidade.

Durante um tempo, ele voltou pra casa menos exigente. Na mesma semana fiquei doente...   Foi quando descobri que ele fazia sexo nos lugares nojentos onde andava.
Quando questionado sobre, ele me deu uma surra que acabei acordando no hospital.
Soube que ele mesmo tinha me levado e tinha dito que tinha me encontrado assim, quando chegou em casa e que estava tudo revirado. As enfermeiras me perguntavam o que tinha acontecido a todo o momento... Eu tive medo. Medo de dizer a verdade. Medo de culpá-lo, medo de fazê-lo pagar pelo que fez. Acabei respondendo que não lembrava mas as enfermeiras sabiam que eu estava mentindo. Mesmo assim, saíram dizendo que informariam meu parceiro sobre minha internação.

Ao lado da minha cama, havia uma mulher com o braço enfaixado e cheia de marcas roxas pelo corpo. Ela perguntou meu nome, eu respondi e começamos a conversar. No fim da conversa, ela me disse: "Conheço falta de memórias assim. Eu também as tive cerca de uns meses atrás. Meu marido me deu do mesmo jeito que o seu." Abaixei a cabeça no mesmo momento e não consegui me conter. Chorei muito. Ela saiu da cama dela e me abraçou. Então contei tudo o que estava acontecendo.

No final, quando estávamos prontas para dormir, eu disse pra ela que superaríamos tudo... Foi quando ela me disse: "Já superei. Essas marcas que tenho agora, não são as mesmas de uns meses atrás. não são meu sinal de fraqueza. Agora são marcas de uma mulher que soube lutar para sobreviver." Eu não tinha entendido e ela me explicou: "Essas marcas são de uma mulher que soube se defender... Eu matei o desgraçado." Fiquei horrorizada, nunca tinha pensado em matar meu namorado nem ninguém. Logo depois ela continuou: "Terei alta amanhã. Se caso não nos vermos mais, quero dizer que você precisa ter coragem para enfrentar seus medos. Saiba que você pode vencê-los. Você é muito mulher pra viver desse jeito. Você merece toda a felicidade do mundo. Eu acabaria com ele agora mesmo. Mas só você pode fazer isso." Então ela deitou-se em sua cama e dormiu.

Fiquei pensativa nas palavras dela... Até as duas da manhã.

Quando acordei, ela já não estava na cama. Mas na minha cabeceira estava um bilhete e um jornal do dia. A primeira página era de um terrível acidente doméstico que tinha acontecido dois dias atrás. A mulher tinha sobrevivido e o homem tinha queimado junto com a casa. O bilhete dizia: Coragem. Torço muito pela sua felicidade. Carmem.

Assim que terminei de ler o bilhete, a polícia entrou no meu quarto e queriam saber o que tinha acontecido comigo. Então eu denunciei meu namorado e fiquei no hospital por uma semana.

Meu ex-namorado foi preso e eu comecei a viver minha vida estranhamente tranquila. Comecei a frequentar terapia em grupo para mulheres que já sofreram violência domestica e graças a Carmem, tinha coisas pra falar para as pessoas lá e ajudá-las. Eu finalmente estava em paz.

Soube ontem que meu ex-namorado saiu da prisão. Me disseram que ele pode querer se vingar de mim. E quer saber? Que venha. Estarei esperando por ele.

25/11/2014 - Ele ainda não apareceu.

domingo, 23 de novembro de 2014

Cantigas Populares Brasileiras: Boi da Cara-Preta

A maioria das Cantigas Populares Brasileiras são um pouco estranhas... E até de mais. Pra mim, não são simples canções. Tem alguma coisa por trás delas. Por isso resolvi inaugurar essa categoria.


Boi, boi, boi
Boi da Cara-Preta
Pega esse(a) menino(a)
Que tem medo de careta.

- Autor desconhecido
Já parou pra pensar nessa canção de ninar?

Eu queria lançar teorias sobre ela... Mas estragaria o propósito do blog.  Deixo por conta de vocês.

sábado, 22 de novembro de 2014

Nota

Boa noite.
É, faz tempo desde a ultima postagem. 4 anos... Recentemente, redescobri este blog e me bateu uma vontade enorme de continuar a escrever o "como me sinto" para alguém através de contos, personagens e até mesmo alguns poemas...
Na verdade, foi isso o que me fez voltar aqui. A faculdade me consumiu muito tempo...  E está na hora de continuar tudo o que eu comecei. Meus projetos gritam para sair da gaveta.

Bom, começarei escrevendo algumas coisas. Mas, a curto prazo, vou mudar o template, o layout, enfim todo o blog pra dar a identidade que ele merece.

É isso. Espero que você, aí do outro lado, goste.
Até logo, nos vemos em breve.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Poema dos Contos: O Terceiro

O Terceiro

Diga-me por que choras
O que acontece com você?
As vezes me olha assustada
tentando falar o que não consegue entender

O que houve com seu vestido?
Estás toda rasgada
O que aconteceu contigo?
Há sangue na escada

Quem arrastou aquelas correntes?
Quem quebrou nossos retratos?
Você diz finalmente que foi meu subconsciente
 e que não me quer mais ao seu lado
Agora entendo aquelas figuras
seres na escuridão do meu pensamento
entre nós dois existem três
e o terceiro não compartilha sentimentos.
 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Poema dos Contos: - Encontros - Novo!

Encontros

O sol no horizonte se põe tímido
a fase final da tarde chegou
mais um dia se foi
para alguns o tempo acabou
A noite vem depressa
mostrando a lua clara
o vento soprando sereno
o mar de ressaca
nesta noite encontrei comigo mesmo
perdido numa cidade deserta
lutando contra meus pensamentos
Surtos incontroláveis
Um grito atormentador
Pesadelos inacreditáveis...
Sussurros de terror inacabáveis. 

Poema dos Contos: - Perdido - Novo Conto!

Perdido

Sendo sozinho na estrada
coberto pela sombra da noite
Seguindo o caminho nublado pela mente
procurando uma solução para salvar-se
Mas encontrando nada que fosse, que desse
caminhos bloqueados por pecados
culpa que se revolta pelas ruas desertas
daquelas tardes de Sábado
sentimentos convertidos em criaturas
vultos entre a névoa... O medo em carne
no final, encontrando a verdade
entendendo seu caminho perdido
aceitando a estrada sombria
andando com a solidão fazendo compania. 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema dos Contos: Ataque Psicótico


Meu caminho é uma estrada deserta
uma certeza incerta
mas ainda insisto em seguir em frente
atrás, não vejo nada mais 
do que assuntos pendentes
Sangrenta rosa vermelha
uma rosa em fúria que ameaça florir
é o bicho-papão que te perturba ao dormir
é a sanidade que insiste em ir
Ainda não se sabe dos mistérios da mente
o labirinto cheio de compartimentos e correntes
É a porta que se abre
o que há atrás dela ninguém sabe
o alternativo, o incomum, o oculto
a mente nublada de alguém escondido no muro
É a perversidade humana
um leão na savana
que loucura brincar com os segredos da mente
Tudo perdeu o sentido
senti a fúria da rosa
sem definir meu indefinido 
sou eu novamente na minha realidade assombrosa.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dona de Castelo

 Amor perfeito, amor quase perfeito
amor de perdição, paixão que cobre
todo o meu pobre peito pela vida afora
vou-me embora
Embromadora
você pra mim agora passa como uma jogadora
sem graça e nem surpresa
diga que perdi a cabeça
se eu me levantar da mesa e partir antes do final do jogo
louco seria prosseguir essa partida
Peça falsa que se enraíza e faz negro
todo o meu desejo pela vida afora vou-me embora
embromadora
E quando eu saltar de banda
e quando eu saltar de lado
vou desabar seu castelo de cartas marcadas
e tramas variadas
sim, seu castelo de baralho vai se desmanchar
desmantelado, decifrado
sobre o borralho da sarjeta
chegou o inverno.

                                         Adriana Calcanhotto

Vídeo-Clip: Dona de Castelo 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poema do Conto: Preso a Sete Chaves


Vamos viver intensamente
deixar as preocupações para trás
respirar o ar da liberdade
correr contra o passado
esqueça aquele assunto vago
deixemos isso para depois, tanto faz
Corro para esquecer os problemas
mesmo assim não me sinto livre
ir tão longe sem sair do lugar é triste
o que estou fazendo aqui, não significa nada.
Estou preso, estou de mãos atadas
não queria isso pra nós
sinto muito, não posso fazer nada
É o destino e que destino
não precisava ser assim, mas foi
na verdade, você nunca se foi
sofremos com sua a partida
e com a verdade de nós por muito tempo escondida
Infelizmente, teve que ser assim
não me recrimine com esse olhar
estou profundamente decepcionado
uma vida se estragou na sarjeta do nada
e nós pagaremos por tal crime execultado